Artigos

O HOMEM TROCOU A EVOLUÇÃO PELA PRODUÇÃO

Se você, leitor, se dispuser a realizar uma análise crítica no cenário mundial sobre a evolução do homem no campo do conhecimento, ficará estarrecido. Há, realmente, um grande declínio no tocante ao aparecimento de "grandes homens" em todas as áreas: nas ciências, nas artes, na política, nas descobertas, etc. etc. O que teria acontecido com a produção mundial de gênios e líderes nas últimas gerações? Onde estão os novos Mozart, Victor Hugo, Kant, Rafael, Einstein e companhia bela? A produção mundial de gênios e líderes intelectuais está em declínio em todas as áreas do conhecimento humano Não há dúvida de que este século assiste a um desgaste histórico na evolução das sociedades. Uma das razões reside no fato de o homem estar dando muito mais importância à produção do que à evolução, esquecendo-se de que potencial e conhecimento deveriam sempre anteceder à própria experiência. Nossos antepassados valorizavam e difundiam sim cessar os macroconhecimentos filosóficos, físicos, metafísicos, religiosos, etc., pois sabiamente reconheciam que, somente através dessas propriedades intelectuais o homem podia exercer a mais nobre de suas tarefas: a reflexão, instrumento imprescindível no avanço do movimento dialético. A perda de reflexão individual tem levado as sociedades para um caminho nebuloso onde se percebe apenas a presença de avanços coletivos imediatistas. Isto é: a soma das energias produz benefícios no conjunto, porém trata-se de resultados tímidos, lentos e quase que exclusivamente materiais, pouco significativos quando comparados com aqueles que o mundo produziu há alguns séculos. Talvez a causa desse fenômeno se deva à mudança do sistema global de vida no planeta: é patente a perda de rigor das instituições com relação à qualidade das coisas, em favor da quantidade. A própria necessidade – cada vez premente de subsistir tem nos obrigado a isso. O fato é que perdemos o hábito de refletir, de nos aprofundarmos mais nas questões realmente importantes. E o que é pior, estamos perdendo o poder de criatividade: diferencial máximo do poder do homem sobre a Terra. Se lembrarmos que a Terra levou 90 mil anos (ou mais) para atingir 250 milhões de habitantes até o nascimento de Cristo, e que, de lá para cá, em menos de 2000 anos, não será difícil imaginar o quanto a questão da sobrevivência deve estar nos preocupando. Essa brutal explosão demográfica trouxe como conseqüência a transformação do homem e da família: de valiosa unidade de educação para uma unidade comum de produção, passando a aceitar a imoralidade maior que é a predominância do sistema de interesses sobre o sistema de valores. O fato é explicável, não justificável. Quando Pascal prenunciou que o coração tem razões que a própria razão desconhece, talvez estivesse antevendo o que aconteceria com o futuro das sociedades. Hoje, o homem tem razões que o próprio homem desconhece. Desconhece por falta de reflexão. Deixa-se levar com um barco sem leme, ao sabor dos ventos, debitando sempre a terceiros (Deus, sorte, empresa, etc.) a análise de sua própria vida e os rumos à tomar. É preciso romper com esse círculo vicioso, em favor de nós mesmos, e retornar a interiorizar e desenvolver valores e princípios maiores que nunca deveriam ter sidos abandonados, como a simplicidade de viver, a grandiosidade da existência, a beleza ímpar das artes e o poder intrínseco de descobrir coisas novas. É preciso romper a casca que nos envolve e renascer, a cada minuto, na busca incessante de novos limites do saber e não do fazer. Para tornar isso realidade e termos outros Mozart ou Einstein é preciso não Ter medo de errar, não Ter vergonha de se expor, não Ter receio de ser chamado de louco. E, principalmente, dedicar-se incansavelmente 14,15 ou 16 horas por dia, durante toda uma existência. Não estamos habituados a sacrificar-nos dessa forma por resultados que não sejam materiais e imediatos. Um egoísta extremo nos conduz a caminhos mais cômodos que, na maioria das vezes, passam por m sofá confortável, defronte do interlocutor do século: a televisão. Não sem antes calçar o sugestivo chinelo do anúncio. Afinal, ninguém é de ferro e o consumo precisa continuar...