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COMO SER PRESIDENTE DA EMPRESA

Esta tarefa é mais fácil do que você possa imaginar. Depende, somente, do caminho de chegada que você escolher como melhor opção; eles são vários e seguramente um deles terá o número do seu manequim. Existem os caminhos de médio e longo prazos e existem os atalhos. É preciso conhecer antecipadamente os pedágios que cada um apresenta, para assumir claramente aquele que você pode e quer pagar. Caminho de longo prazo – É o que chamo o caminho da persistência. Você investe na empresa que o acolheu desde os 14 anos de idade, inicia como office boy e, ao longo dos anos, vai subindo a escada hierárquica: com paciência, muito trabalho, desenvolvimento, criatividade e a inestimável ajuda do seu anjo da guarda. Um belo dia, quando você menos espera (na verdade, por este caminho, seria bom contar com mais de um anjo da guarda para poder esperar...) a sua competência é reconhecida e você é convidado a assumir a cadeira de "grande chefe". Caminho de médio prazo – Consiga se formar numa universidade de renome (dessas que você conta na ponta dos dedos), de preferência entre os dez primeiros lugares; vá até a França freqüentar uma Sorbonne por uns três anos ou nos Estados Unidos assistir a uma Harvard e volte com um mestrado ou doutorado debaixo do braço. A estratégia é infalível. Com a ajuda do seu anjo da guarda (que já não precisa ser tão vitaminado), você entra na empresa pelo elevador executivo. Daí prá frente é só ser o mais generalista possível, usar e abusar da diplomacia e da política (com inteligência) e não ter receio de atropelar o que estiver pela frente. Quanto mais você deseja chegar, mais rápido você chega. Ou, então procure ser filho de um pai empresário – de preferência, daqueles que tem um grupo de empresas – e tenha certeza de que, mesmo se o seu anjo da guarda der uma cochilada, o elevador executivo estará a sua espera. Caminho de curto prazo – O mais eficiente é o altar. Quando você estiver procurando emprego, faça-o em função da existência do número de filhas solteiras que o dono da empresa tem e não das oportunidades que a empresa esteja oferecendo. Não se preocupe com os executivos que já tem 20 anos de casa ou que esbanjam talento. Não serão empecilho para você. Passe a freqüentar o clube ou as rodinhas que lhe permitam o acesso à filha preferida e, sem perda de tempo, case-se. O resto é conseqüência direta de dois santos: Santo Antônio e Santo Sogro. Detalhe: este atalho nem sempre exige uma Sorbonne ou uma Harvard, porém, é imprescindível uma postura impecável, um certo investimento no guarda-roupa e uma pitadinha de elegância, principalmente se você é um durão. Em tempo: um atalho através do qual você chega rapidamente à presidência é aquele em que você compra a empresa e assume o posto. É muito eficiente em termos de resultados para atingir o objetivo. Contudo, pode ser perigoso em relação ao retorno do investimento. As pesquisas têm demonstrado que neste caminho tem muita gente andando e, de repente, você pode trombar perigosamente com o seu próprio ego, ou com o de outro nas mesmas condições. Cuidado: por este caminho você pode acabar sendo visto "apenas" como dono do negócio e não propriamente com "o" presidente. Um conselho útil a quem estiver nesta caminhada é o de refletir bem se o que se deseja é que os refletores incidam sobre a empresa ou sobre a própria pessoa. Se a última alternativa for a verdadeira, talvez seja mais interessante procurar uma cadeira. A de ator ou de humorista podem ser alternativas interessantes. Uma sugestão: a carreira de político está em alta e – para aqueles que precisam – é muito bom para inchar o ego (e outras "cositas mas"...). Nota para leitores acionistas: dirigir uma organização não é para quem quer e sim para quem pode. Cuidado com as imitações! Na aquisição de um presidente para a organização não existe segurança de "satisfação garantida ou seu dinheiro de volta..."