Artigos

Produtividade, Qualidade e RH

Produtividade e qualidade é um tema que além de vir preocupando técnicos, administradores e empresários, vem gerando reflexões que estão abrindo portas para novas atitudes que, até aqui, nem por hipótese pensava-se em experimentar. Se por um lado, a busca pela produtividade e a qualidade está sendo entendida como uma saída fundamental para a sobrevivência das organizações, frente à abertura global dos mercados e a concorrência acirrada de preços e produtos, por outra evidência para todos aqueles que respondem pelo gerenciamento de equipes, um grande desafio que deve ser enfrentado. Ao longo dos meus quase 25 anos de militância na área de recursos humanos aprendi certos princípios e valores que, hoje, reputo da maior importância na difícil caminhada em busca do sucesso pessoal e organizacional. Refiro-me à necessidade de conhecer e entender uma das máquinas mais perfeitas feitas pelo homem, mas não projetada por ele, que é o próprio ser humano. Neste sentido, vale a pena lembrar os surpreendentes resultados conseguidos numa pesquisa sobre qualidade e produtividade, recentemente realizada numa das mais consagradas universidades dos EUA e que me pareceram muito apropriados para exemplificar os meus pontos de vista sobre o tema. A conclusão da pesquisa revela o testemunho de 1417 empresas americanas que após analisarem diversas variáveis influentes no processo de obtenção da produtividade e da qualidade organizacional, chegarem, entre outras, às seguintes conclusões: · Toda organização que busca otimizar os seus níveis de produtividade e qualidade deve centrar basicamente os seus investimentos na tecnologia e no desempenho humano. · Enquanto observou-se que a tecnologia respondia percentualmente até um máximo de 20% no processo de otimização na busca da qualidade e produtividade, a variável desempenho humano podia render até os 80% restantes! Essas conclusões são fantásticas para nós que temos a pretensão de analisar e estudar saídas cada vez mais eficientes para os nossos problemas organizacionais. Mas, continuando com a pesquisa, ao se procurar cavar mais fundo na origem dos 80%, potencialmente dados pelo desempenho humano, verificou-se que, para se obter a totalidade desse desempenho é preciso contar com a presença de dois fatores: conhecimento e motivação. Como sabemos, o conhecimento é possível ser transferido para o trabalhador através de programas de formação, aperfeiçoamento, treinamento e desenvolvimento. Esta transferência de conhecimentos, numa empresa, depende fundamentalmente de duas condições: A primeira, como é óbvio, refere-se aos subsídios financeiros. A outra (tão ou mais importante que a primeira) consiste em planejar e desenhar uma política de desenvolvimento da estrutura organizacional adequada aos objetivos empresariais e de mercado, conjuntamente com um sistema realístico de operacionalização. Nestes termos, a variável conhecimento pode ser trabalhada por nós sem maiores problemas, e nos renderá um peso percentual de 30% na busca do desempenho, ainda segundo os resultados dessa mesma pesquisa. Neste ponto reside o primeiro problema das empresas brasileiras, na obtenção de qualidade e produtividade. As organizações que se preocupam com problemas educacionais ou de treinamento e desenvolvimento para os seus empregados, representam uma pequena minoria. Um artigo assinado por Ronald Henkoff, na revista Fortune de 22/03/93, sob o título "Empresas que melhor treinam", mostra, entre outros exemplos, a preocupação dos EUA na questão do treinamento e desenvolvimento dos recursos humanos, como alavanca de crescimento e qualidade: