Crônicas

UMA QUESTÃO DE BOM SENSO

O bom senso é imprescindível. Seria desejável que todos pudessem pensar e agir dentro de -no mínimo- um padrão razoável de lógica e sabedoria. Contudo, isso é utopia. As pessoas agem de acordo com o que aprenderam a internalizar, reagindo conforme foram vivenciando estímulos positivos ou negativos ao longo de sua existência. Dessa maneira, torna-se óbvio que não podemos fazer com que os outros aceitem ou até mesmo compreendam facilmente a nossa maneira de ser ou de pensar. Se cada um teve a sua personalidade construída de forma una, é impossível que não haja diferenças aparentes no inter- relacionamento pessoal. Assim, é também impossível que, a não ser que o outro tenha desenvolvido uma lógica de compreensão macro, nunca poderemos esperar respostas ou ações dentro dos nossos padrões. Até quando vamos ter de conviver com a falta de bom senso de certas pessoas? A dissonância cognitiva é outra variável que merece ser destacada nessa problemática do relacionamento. Esse fenômeno aparece quando o que está sendo ouvido ou recebido não bate com o que temos registrado em nossa mente como sendo uma verdade. Quer dizer: a minha verdade não é necessariamente igual a sua. E ai é que as coisas começam a se complicar. E é exatamente ai que o bom senso tem de prevalecer. Infelizmente, o dia-a-dia, está ai para demonstrar exatamente o contrário. Impressiona o número de vezes em que nos deparamos com situações divergentes daquilo que consideramos natural ou óbvio e, que, no entanto, contrastam pela maneira com que são resolvidas. São situações que nos fazem pensar que certos indivíduos ou entidades fazem questão de manter posicionamentos burocráticos ou processos complicados embora sabendo que não representam o ideal. Seria pela existência de interesses escusos, que se revertem em benefício daqueles com quem tratamos? Ou seria puramente burrice ou desconhecimento de como otimizar as coisas para torná-las mais eficientes e eficazes? Não acredito isoladamente nem na primeira nem na segunda hipótese. Acredito, sim, na absoluta falta de bom senso de uma grande parcela de pessoas, que por falta de aptidão e por acomodação, pouco se importam com o desenvolvimento e os problemas dos outros. Vamos ter de conviver com isso até quando? Como diria o Boris Casoy: isto é uma vergonha!