Crônicas

A EPIDEMIA DA LADROAGEM

Estarrecidos. Boquiabertos. Pasmos. Incrédulos. Desnorteados. “Fulos” da vida. Traídos. É como todos nós estamos nos sentindo, nos dias de hoje, ao acompanhar as últimas notícias sobre as informações que surgem a cada momento na CPI do orçamento. O pior de tudo isso não é o que estamos vendo. É o que não estamos vendo. Ou alguém tem alguma dúvida de que isso tudo é somente a ponta do “iceberg”? Já pensaram nas milhares de mutretas que devem existir por aí, visando única e exclusivamente a favorecer o bolso de alguém? E quem estaria pagando o custo dessas roubalheiras? Qual será no futuro o papel dos nossos filhos? De mocinho ou de bandido? Sem sombra de dúvidas somos nós: assalariados, comerciantes, empresários ou autônomos que pagando seus impostos sacrossantamente em dia, aos cofres do governo, esperamos estar contribuindo para que – no mínimo – a aplicação desses recursos vá ao encontro das necessidades sociais da população. Até que um belo dia nos deparamos com pessoas que – ao amealhar fortunas imensas da noite para o dia – alegam dentro do maior cinismo, não terem culpa por serem pessoas escolhidas pela sorte e terem ganho dezenas de vezes o prêmio maior na loteria... E nós continuamos, impotentes, a assistir a informações e atos de cidadãos que desprezamos a justiça de Deus, a dos homens e os próprios limites da decência, passam por cima de tudo e de todos num “me ne frego” sem par na história da república! Pois é, fica cada dia mais difícil explicar aos nossos filhos o por quê um professor que batalha a vida inteira para plantar sementes sadias para o futuro morre de fome, enquanto um político que derruba em poucos minutos tudo o que o professor plantou durante anos, passeia de limusine e só viaja em jatinhos particulares, alardeando o poder – que te – de enganar a 150 milhões de trouxas. Há algum tempo ouvimos dizer que tudo o que está acontecendo de certa forma é bom pois faz com que “passemos o Brasil a limpo”. Eu, sinceramente, tenho dúvidas quanto a essa limpeza. Só vou acreditar nisso quando estiver vendo esses “senhores” na cadeia e os seus bens seqüestrados, vendidos e o dinheiro aplicado em prol da população. Como devia ser desde o início. Enquanto esses ladrões continuarem soltos e suas fortunas espalhadas pelos bancos da Europa; enquanto o governo , para compensar esses desfalques (que permite) continua arrochando o imposto de renda do cidadão; enquanto continuarem aparecendo impostos inconstitucionais para tapar os rombos de caixa inexplicáveis e, enquanto o salário mínimo estiver na casa do 70 dólares mensais, realmente fica muito complicado convencer a população de que é preciso acreditar no futuro. Ainda bem que somos mansos por natureza. Caso contrário...