Crônicas

CADA UM NO SEU LUGAR

Quer a gente queira ou não, quer a gente goste ou não, cada um de nós tem um lugar que lhe pertence na sociedade e deve estar consciente disso. O lugar de cada um é algo a ser conquistado e não simplesmente fruto da vontade individual. São os outros - aqueles que nos cercam – que determinam qual o nosso lugar e não nós. É como o processo de liderança. Alguém é líder não porque quer mas, sim, porque os que o rodeiam o “sentem” como tal. Via-de-regra o que nos leva a ocupar um determinado lugar entre os nossos semelhantes é a forma como estes vêem o que somos, o que temos ou o que representamos. Ou seja, é a velha diferença entre o ser e o Ter. Vejamos: alguém pode ser respeitado por sua bagagem cognitiva ou pelo nível dos seus conhecimentos; outro, pela ostentação que faz com os seus bens; outro, pelo papel que está representado no momento (diretor disto ou responsável por aquilo). Tudo isso, no fim da linha, chama-se de simbologia social. É preciso você acenar com algum tipo de diferencial para você ser reconhecido e catalogado. Fulano é mais importante porque isto ou aquilo; Beltrano é menos importante porque não estudou ou não conhece esta ou aquela questão. Sicrano é muito importante porque está responsável ou porque dirige esta ou aquela empresa. No fundo, as pessoas são levadas a avaliar o seu semelhante por aquilo que ele consegue colocar como simbologia do seu “status” e, embora concorde que estes símbolos são muito efêmeros e superficiais, não há como negar que os contatos preliminares são sempre norteados por esses sinais. Se levarmos em conta que, grande parte dos contatos se interrompem ou se completam logo no início, é preciso analisar estas questões com muito cuidado. É preciso que cada um de nós tenha plena consciência do seu papel, em primeiro lugar, e saiba avaliar o seu interlocutor , em segundo lugar. Toda relação tem, em determinado instante, em determinado instante, um momento de avaliação mútua entre os indivíduos. Cada um tenta avaliar as forças do outro e estabelecer as regras do jogo que ambos vão jogar. Se as regras que cada um traça são semelhantes, ótimo, o final deverá ser feliz ou a relação duradoura. (A acha que B é mais importante e B concorda). Se, ao contrário, estabelecem-se parâmetros contrários entre as partes, ( A acha-se mais importante que B e B acha-se mais importante que A ) o litígio está implantado até que uma das partes se “renda” e reconheça a importância do outro ou rompa o relacionamento de uma vez por não aceitar. Fundamentalmente é saber exatamente avaliar esse cenário: conhecer o nosso valor e o dos outros é vital.