Crônicas

PARE DE FUMAR ENQUANTO É TEMPO

Começo esta matéria munido de toda a legitimidade de quem já parou de fumar, não só uma, mas três vezes. A primeira vez que resolvi deixar de fumar o fiz lá pelos meus 30 anos. Depois de agüentar firme 3 anos, no dia em que meu velho faleceu -nem me lembro como- mas quando dei por mim, três ou quatro dias após, vi-me novamente com o cigarro na mão. A segunda vez, 10 anos depois, achei que era hora novamente e enfrentei a onça outra vez. Parei de fumar e, 2 anos depois, ao conhecer a que fora a minha querida metade (que diga-se de passagem fumava feito turco velho...) por uma questão de gentileza fui lhe acender um cigarro e, lá fui eu, outra vez na contramão da saúde. A terceira vez, também 10 anos depois, voltei a abandonar o vício de fumar, por ocasião da gravidez de minha mulher. Para o bem do bebê que estava a caminho e para o nosso próprio bem, eu a minha mulher anunciamos aos quatro ventos que iríamos parar de fumar. Com todo respeito que me merecem aqueles que optaram conscientemente (?) por fumar, quero dizer, de público, o que penso do ato de fumar. Fumar é gostoso. Isso é inegável. Como gostoso também é jogar roleta; apostar no pangaré do Jóquei; beber caipirinha, fazer sexo, e muitas outras coisas. A questão é saber dosar o que é bom para que não se torne ruim, e isso é muito difícil de fazer. Uma pessoa normal (isso existe?) consegue dosar a bebida; o jogo ou o sexo, na medida em que pratica essas coisas somente quando sente vontade. O vício de fumar, porém, segue outro ritmo. Sem controle. A média que os fumantes se colocam como parâmetro é um maço de cigarros por dia (20 cigarros), o que é muito para um corpo humano. Se você fuma, certamente terá os seguintes problemas: hálito ruim; dedos amarelos pela nicotina; cabelos sem brilho; dentes preto-amarelados; brônquios tomados pelo pigarro; bolso desfalcado de quase meio salário mínimo por mês; cinzeiros constantemente sujos e amigos, colegas e parentes pegando sempre no seu pé para não fumar dentro do carro, na sala fechada, no quarto das crianças, à mesa do jantar, etc. etc. Hoje, a moda é não fumar. Ao contrário da onda dos anos 60. Portanto, meu caro, ao menos para ficar “in” siga o meu conselho: pare de fumar, para isso aí vão algumas dicas interessantes: (1) Vá se preparando com tempo; planeje o dia “D” e faça a sua cabeça repetindo constantemente que o vício não é mais forte que a sua própria vontade. (2) Procure todo o auxílio possível para tornar a sua decisão sem volta; troque idéias com quem já passou por isso e peça-lhe dicas de como “tourear” o vício; aplique um “ponto na orelha” (eu fiz e me ajudou muito!); consulte o seu médico para tomar doses de nicotina (ameniza a necessidade física, a psicológica você vai ter mesmo de enfrentar à unha...). (3) Finalmente, se você leu tudo isto até aqui, tome vergonha na cara e prove a você mesmo que apesar de viciado (é isso mesmo!) você ainda tem um resto de dignidade e de amor próprio e vai realmente abandonar esse veneno de longo prazo. Se você realmente decidiu parar de fumar, lembre-se, os primeiros 30 dias são os mais difíceis, aos poucos a vontade de fumar vai perdendo força, vai se espaçando e de repente, como eu, você comemora, com saúde e com orgulho o terceiro aniversário completamente despoluído. Um lembrete: depois de poucos meses sem cigarro você verá que pode muito bem viver sem ele, que não lhe faz nenhuma falta, ao contrário, a vida passa a ser muito mais colorida e gostosa!!