Crônicas

TELECOMPRAS: SALVE-SE QUEM PUDER...

Hoje amanheci com minha avó atrás do toco. É que nunca se falou tanto em coisas tão inúteis como nestes últimos tempos. A publicidade ajuda neste sentido com toda a força que a modernidade lhe outorga e, nós, pobres consumidores imbecis, que acreditamos em tudo que nos é oferecido, vemo-nos –de repente- ilhados impulsionados a ir em frente e adquirimos o bem (ou seria o mal?). Com a ajuda da telinha, então, só Deus sabe o que acontece nesse mundo afora. É aparelho que diz reduzir a barriga num passe de mágica; é creme rejuvenecedor; é afrodisíaco no duro (com o perdão da palavra); é produto que por obra e graça da nossa ingenuidade ao mergulhar a prataria, esta se torna absolutamente nova e sem manchas (você já experimentou?);é ralador de batatas, tomates e outros quetais que, após comprar, você verifica ser a arma mais poderosa que a humanidade já construiu para ralar os seus dedos, etc. etc. É melhor avermelhar antes do que arrochar depois. (Ditado de minha avó mineira, sem toco) Como fazer para não comprar tais geringonças se, nós pobres mortais além de ingênuos sofremos de curiosidade congênita? Além do mais, você já percebeu a facilidade com que as coisas podem chegar em sua casa? É só levantar o telefone do gancho e discar um número que para sua comodidade já foi abreviado para você não perder o seu precioso tempo e ser atendido por uma gentil operadora de telemarketing (que a maioria das vezes é funcionária de outra empresa que presta serviços nessa área) que anota o seu pedido e providencia a remessa. O preço? Bem, você não vai querer que tudo seja perfeito! mesmo porque parece justo que você acabe pagando um pouquinho a mais para Ter a facilidade de comprar sem sair de casa, sem enfrentar trânsito, estacionamentos, filas e outros inconvenientes da cidade grande. A taxa de acréscimo por essa mordomia não é muito superior a 200% do que custaria em uma loja de importados. Afinal isso não tem importância; o que importa mesmo (desculpem o trocadilho) é que você tem dez dias para pagar (ou talvez mais) e não precisa nem mesmo levantar-se de sua poltrona frente a televisão. Isto é mais que Real... é fantástico, não é mesmo? E viva o consumismo! Vamos comprar, gente! Que as coisas estão baratas mesmo! Oba, oba!! É tudo muito fácil: é só discar, dar o número do seu cartão de crédito e receber o imbroglio. Como pagar? Como fazer quando os pré-datados começarem a pingar ou o cheque especial estiver estourado? Bom, ai é outro departamento. O que importa é que você comprou e a roda da economia continua a girar. Nessa, alguém ficou mais rico e alguém ficou mais pobre: a equação não é difícil o difícil é não entrar nesse redemoinho. Que um conselho de quem já entrou nessa e conseguiu sair vivo? Não compre por impulso. Gostou da oferta? Guarde a informação na sua memória e espere alguns dias, analise a prioridade da compra e veja se não há outro produto ou despesa que seja mais útil no momento. Se ainda assim achar que tiver de comprar, pesquise pelo menos em outros três lugares, verificando, no mínimo, a qualidade do produto, a origem (um produto japonês é diferente de um coreano, por exemplo) a garantia e o preço. Só depois compre; verá que assim empobrecerá menos rapidamente.