Crônicas

O MELHOR DOS INVESTIMENTOS

Quanto do seu tempo você investe em ajudar aos menos favorecidos? Não me venha com essa de não ter tempo. Tempo é uma questão de administrar. Portanto, você só não terá tempo se não quiser ter. E só ajudará efetivamente aos seus semelhantes se você, também, quiser. Existe, em geral, três tipos de compor­tamentos em relação a ajudar aos outros: a) O do indivíduo que sabe do pro­ble­ma, mas faz de conta que não vê e deixa passar batido. É aquela pessoa que quando percebe que o pedinte vai chegando perto do seu carro, olha para o outro lado como se esti­vesse procurando alguma coisa, só para despistar. b) Aquele do sujeito que vive apregoando que "por princípio" não se deve dar esmola nem qualquer tipo de coisa àqueles que pedem nas ruas ou nas casas. Se­gundo ele é preferí­vel ajudar financeiramen­te alguma entidade. Só que, ele nem ajuda a essas entidades nem estende a mão a ninguém. c) o comportamento das pessoas sensíveis às necessidades dos seus seme­lhantes e que compram doces ou quinquilharias em todas as esquinas, fazem questão de dar algum dinheiro para o garoto que pediu para "tomar conta do carro", tem uma clientela fixa à porta de sua casa para receber um prato de comida, algumas roupinhas usadas e, porque não, talvez al­gum dinheiro. Dias atrás, fiz questão de conversar com dois garotos pobres que duas vezes por semana vêm até nós em busca de almoço, para saber qual esquema utilizam, como são trata­dos e o que recebem. Assim, fiquei sabendo que eles tem uma "freguesia" (nome que os garotos dão a quem costumeiramente os ajudam) certa: se­gunda feira o número tal da rua tal dá o almoço; o jantar quem dá é o nú­mero tal da outra rua, e assim por di­ante. Trata-se de crianças de 10 a 15 anos, que como nós, dizem ter medo dos bandidos, e por eles são atacados também. Você é daqueles que quando um menos afortunado aproxima-se para lhe pedir algo procura logo desviar o olhar para outro lado? São filhos de pais pobres, talvez desempregados, morando em favela ou de favor com algum parente ou amigo, e buscam, somente, aplacar a fome. São mansos, como toda criança, e adoram quando você lhes brinda com algo "diferente" como por exemplo um copo de refrigerante ou um bom pedaço de bolo de chocolate. Agradecem muito a sua bondade, com palavras até que bonitas mas, se você quiser entender melhor o que dizem, olhe para dentro dos seus olhos, aí você verá o verdadeiro agradecimento. Você já experimentou dar a essas crianças, algo mais do que um prato de comida, uma sobremesa gostosa, uma fruta ou um doce?