Crônicas

EXEMPLOS DE HUMANIDADE

Que a vida está cada dia mais difícil é uma realidade constatada por todos nós, brasileiros. Cada um de nós, de certa maneira está fadado -pelas contingências da própria vida- a carregar a sua própria cruz: é falta de dinheiro; é um mal-estar crônico; é a falta de amor, respeito ou reconhecimento pelos que nos rodeiam ou alguma outra circunstância que, afinal, faz com que achemos que a "bruxa anda solta pelo nosso quintal". Estas causas -as particulares- são aquelas que nos marcam individual­mente. Existem, contudo, as causas gerais, que acabam se somando às particulares -por exemplo- a economia, a recessão, a falta de emprego, os baixos salários, etc. etc. sobre as quais não temos a mínima possibilidade de influir enquanto cidadãos comuns, mas que acabam por emoldurar o nosso quadro com tintas ainda mais nefastas. Nesse cenário vive a maioria de nós: lutando desesperadamente por conseguir -ao menos- sobreviver da melhor forma possível. Para piorar um pouco essa situação, a imprensa em geral inunda nossas cabeças com mais sofrimento e mais tristezas, e como se fossem poucos os problemas que já temos, invadem nosso lar com informações fantásticas (e até em tempo real) das desgraças que assolam os quatro cantos do nosso pobre Brasil. São pessoas que se matam; que são assassinadas; é a fome que arrasa com a nossa gente; assaltos, roubos; mistificadores; foragidos, etc. etc. Ligue, por exemplo, a sua televisão (não importa o canal) e veja se estou errado! Essa é a realidade da maioria dos noticiários da atualidade. A grande questão que fica no ar é: até que ponto as elites que comandam essas programações estão se dando conta do mal que produzem à nossa sociedade? Existirá uma razão especial para mostrar com tanta insistência os horrores do nosso submundo ou é tão somente o afã de conquistar audiência a qualquer preço? O pior da estória é que quem paga esse preço somos nós mesmos! Em vez de encontrar na leitura, na tevê ou no rádio momentos de prazer, informação, cultura ou distração, o que é que encontramos? Mais uma fonte alimentadora das nossas tristezas, provocando-nos mais desânimo e descrédito com tudo o que nos rodeia. Felizmente existem as exceções. E estas são as que provocam reflexões que, se por um lado não fazem o Ibope subir, levanta-nos o moral fazendo-nos acreditar que tudo ainda não está perdido. É o exemplo dado por aquela mulher, no Rio de Janeiro, que deixando os seus compromissos e os seus problemas de lado, ampara, noite adentro, um punhado de crianças desamparadas, dando-lhes amor, companhia e bons exemplos. Não fosse a chacina da Candelária, será que acabaria sendo notícia? Tenho cá minhas dúvidas. E aquela fantástica senhora de tradicional família mineira que de há muitos anos trocou as badalações do "jet set" para dedicar-se pessoalmente aos cuidados de centenas de crianças excepcionais? Exemplos como esses deveriam ser noticiados diária e constante­mente. Não o fazendo, estamos perdendo a oportunidade de mostrar aos nossos filhos, um caminho e um modelo de comportamento que deveriam seguir, deixando de ensinar-lhes que, mesmo que a nossa vida seja difícil, sempre podemos e devemos estender a mão com fé, amor e coragem. As conseqüências contrárias ninguém pede ao Ibope para medir...