Crônicas

Adeus felicidade

Era uma vez um pais, cujo cacique era muito feliz. Ninguém era mais feliz do que ele em todo a tribo com uma exceção: o seu próprio povo. E essa era a razão de sua imensa felicidade. Naquela época não havia classes sociais. Todos tinham de tudo e nada faltava. O respeito, o amor e a fraternidade eram as únicas armas de todo o reinado. Tudo era muito simples e o belo ressaltava acima de tudo. O valor pelas plantas, pelos animais e por tudo que Deus pôs no planeta era guardado e mantido por esse povo com muito cuidado. O convívio era de paz, tal qual um verdadeiro paraíso. Um belo dia, contudo, apareceram uns estranhos vestindo roupas esquisitas, brandindo armas de fogo e tomaram pela força tudo o que o cacique e seus felizes súditos possuíam. De lá para cá, passados muitos e muitos anos, e apesar de todas as modificações que o tempo e os conquistadores trouxeram ao pedaço, ele teima em continuar resistindo na conservação da beleza natural e da pureza de intenções, marca registrada do seu povo. Mas o que aconteceu com aquele paraíso então? Se o reinado continua lindo de morrer, se os súditos ainda mantêm aqueles traços de pureza e de amor a tudo que os rodeia, o que é que se perdeu? Perdeu-se a felicidade. Perdeu-se a alegria de viver e perdeu-se, também, a ingenuidade e a credibilidade pelo coisas. O nome dessa terra, todavia, permanece incólume e belo como tudo o que representa: Brasil. Ah!, meu Deus: porque poucos fizeram tanto em tão pouco tempo? Seria ignorância, maldade ou egoísmo? Uma notícia recente, vinda de um pais que chamam de primeiro mundo, que prima por ser o berço da cultura (embora vive confundindo a nossa capital com a do vizinha Argentina) informa que, por estas bandas, segundo o índice de Gini, mais uma vez os pobres continuam sendo cada vez mais pobres e o ricos cada vez mais ricos. Mas é isso que chamam de modernidade? Ver os nossos irmãos sem comida, sem trabalho, sem teto? Estar lado a lado com centenas de crianças jogadas nas ruas e nada fazendo para dar um basta é sinal de modernidade?. Ah! Que saudade do velho cacique! Aquele sim, sem saber economia, sem falar francês ou inglês, sabia, como ninguém, falar a mais clara das línguas: a do atendimento das necessidades do seu povo. Boris, você tem razão, isto é uma vergonha!!