Crônicas

Acabou a inflação. E dai?

Há dez anos a gente estava esperando para poder dizer isso! Depois de tanto tempo toureando índices inflacionários super altos parecia impossível que um dia a gente pudesse gritar, com alegria, que a inflação zerou. O fato é que a gente grita, mas sem alegria. E não é só pela impressão do “déjà vu” mas, também, por indicadores sociais que apagam o brilho do acontecimento.. A primeira prévia do IGP-M, índice medido pela Fundação Getúlio Vargas, no mês de setembro, apontou uma deflação de 0,34% . Isto significa que estamos na contramão da inflação e que a queda da demanda, isto é, do consumo em geral é muito grande. Os salários não conseguem passar do dia 15. Isso é vida? Uma das pontas da corda nos mostra a situação do trabalhador: só no mês de agosto quase 60 mil profissionais foram colocados na rua (da amargura) para engrossar o já tão alto índice de desemprego no país, é preciso lembrar que isso tem um custo: 60 mil trabalhadores desempregados significa, em média, 180 mil pessoas desamparadas, contando uma família média de 3 pessoas, o que quer dizer que são 180 mil consumidores a menos para garantir o escoamento da nossa produção; o salário daqueles que recebem por volta de 6/7 salários mínimos não consegue ultrapassar a barreira do dia 15. Ou seja, esse povo todo, fica praticamente sem dinheiro durante 15 dias ou emprestando por conta do próximo salário e pagando juros sobre juros. Isso é vida? Para essa grande massa de pessoas a inflação ter acabado deve estar ajudando, mas não está resolvendo a situação. Mas, na verdade, ninguém pode afirmar com certeza que as coisas estão melhorando para as classes menos favorecidas (estas são as que devem merecer a nossa prioridade!) pois se por um lado a tendência de preços é de baixa pela concorrência acirrada do mercado, por outro constatamos que essa faixa da população não consome nada mais além do essencial. A situação é esta: os salários estão congelados e o desemprego é assustador; os preços ainda estão altos (alguns são uma vergonha!) e não há controle eficiente, as organizações não conseguem fabricar com custos menores e qualidade melhor. Logo, o que acontece? Ninguém sabe. É um salve-se quem puder! Na outra ponta da corda os empresários estão se aliando aos seus inimigos, os sindicatos, (quem diria!) na busca frenética de saídas honrosas. A falta de pedidos, os juros nas nuvens e a falta de crédito está deixando a situação cada dia mais crítica. Deixar de comprar não é a melhor solução: se não compramos as fábricas fecham, as pessoas perdem os empregos; compra-se menos, fabrica-se menos, demite-se mais e está instalado o círculo vicioso. Comprar a qualquer preço também não é certo. Seria incentivar a desorganização ou a ganância daqueles que estão se lixando com os problemas da sociedade. Vamos precisar de muito bom senso e muita paciência até passar a borrasca. Nesse ínterim, um ex-ministro defende a sua conduta em prestar consultoria ao Sebrae por 24 mil reais mensais, enquanto exerce uma função pública, alegando que o trabalho que presta é de carater intectu